sábado, 11 de outubro de 2008

Deus ainda está no controle



"Deus meu, Deus meu, por quê me desamparaste?" (Sal 22:1).

O versículo bíblico que abre este artigo é muito conhecido da maioria dos cristãos, mesmo aqueles que tem suas bíblias empoeiradas dentro da estante. Trata-se da frase que Jesus pronunciou na cruz do Calvário, após horas e horas de intenso sofrimento. No entanto, apesar de terem passado para a história - e até para o cinema - nos lábios do personagem mais sublime da História, estas palavras de desalento e abandono, que ainda martelam na consciência da humanidade dois mil anos depois, não são de autoria de Cristo. No sofrimento da cruz, Cristo recorria às palavras da Torá Sagrada, evocando o primeiro versículo do Salmo 22, de autoria de Davi ben Yessed, o rei Davi.
A história de Davi nos ensina muito a respeito da condição humana, e de como Deus ainda está no controle, mesmo quando nossos sonhos e projetos mais importantes fracassam. Davi não era mais do que um simples pastor de ovelhas, filho rejeitado dentro da própria casa, quando um dia um profeta chamado Samuel abençoou sua vida, dizendo que um dia ele seria Rei de Israel. Naquele instante, nascia um sonho muito alto para o coração de um jovem pastor, que apenas sabia cuidar de ovelhar e louvar a Deus com harmonias que retirava de sua harpa e sua alma poética.
Não demorou muito para Davi sentir que Deus estava cuidando de tudo para que seu sonho se tornasse realidade. Por derrotar um gigante de quase três metros de altura, recebeu isenção de impostos e a promessa de casar com a filha do rei. Por sua habilidade de tocar harpa e aquietar o coração atormentado do Rei Saul com sua música, ganhou aposento próprio no Palácio. Algum tempo depois casou com Mical, filha do rei, e o coração entusiasmado de Davi pensava: "Está tudo confirmado...um dia, por ser esposo da princesa, assumo o trono e viro Rei de Israel".
Tudo ia bem, até o dia em que, sem mais nem menos, Davi perdeu tudo. Foi expulso do palácio como um cachorro e caçado por todos os cantos de Israel. O jovem pastor, de príncipe passou a fugitivo, morando em cavernas. Com certeza, foi neste período que compôs o salmo que, um dia, estaria nos lábios de Jesus: "Deus meu, por quê me desamparaste?".
Esta pergunta lhe parece familiar? Algum dia você se sentiu sem rumo, desnorteado, depois de um duro golpe, como Davi, e como ele se questionou onde foi parar o amor de Deus por você? Se isso um dia aconteceu, é importante que saiba: nem Davi nem Jesus, que pronunciaram esta oração, foram abandonados. Com o sofrimento, Davi acabou sendo treinado para, como Rei de Israel, se tornar o guerreiro que garantiu a expansão e tranquilidade do povo israelita, e Jesus, bem, você sabe: pagou, com a morte, o preço por nossos pecados e ressuscitou. Sofrer nunca é agradável, mas entenda que seu sofrimento de agora é um estágio, um treinamento para saber lidar com as vitórias que ainda virão. E isso não é apenas palavreado psicológico. Pouco importa o que você esteja vivendo agora. Deus ainda é Deus, e ele ainda está no controle.
Deus te abençoe abundantemente.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A Importância dos Lábios Prudentes



“O que guarda a sua boca conserva a sua alma, mas o que abre muito os seus lábios se destrói. (Provérbios 13:3)”.

Ter sucesso em todos os projetos é o principal anseio de todo e qualquer ser humano. No entanto, apenas algumas pessoas conseguem alcançá-lo. Mesmo pessoas crentes em Deus, e que se dizem fiéis à sua Palavra, tem uma séria dificuldade de conquistar suas metas, enquanto outros, que às vezes nem mesmo tem uma vida de devoção, conseguem prosperar. Por que isso acontece?
Em primeiro lugar, a Palavra de Deus é para todos os seres humanos, crentes ou não. Ela apresenta princípios seguros para uma vida vitoriosa, hoje e também no porvir. Portanto, quando qualquer pessoa pratica um princípio contido na Bíblia Sagrada, mesmo sem tê-la lido uma única vez, receberá a bênção correspondente àquele princípio. Se, por outro lado, mesmo se dizendo crente, a pessoa não aplica os princípios da Palavra de Deus em sua vida, estará fadada a ser um cristão frustrado.
Um dos princípios mais profundos que a Bíblia ensina para se ter vitória, é ter vigilância e moderação com o uso das palavras. Infelizmente, muitos cristãos precisam ainda aprender muito no que tange a este respeito.
Você conhece alguma pessoa que fala tudo o que lhe vem à boca? Seja a maior tolice ou a maior grosseria do mundo, a pessoa não consegue se segurar. Parece que o caminho entre a boca e o cérebro é mais curto nestas pessoas. Este tipo de postura atrai mágoas e contendas desnecessárias que impedem o crescimento espiritual.
A Bíblia classifica esta atitude como “pecado de leviandade (Efésios 5:4)”. Há inclusive pessoas que se orgulham de incorrer neste erro, por achar que isto lhes torna mais sinceras que as outras. Certamente você já ouviu alguém dizer algo como “me desculpe, mas eu sou muito franco”...e em seguida, despejar uma grosseria contra alguém. Por que será que tais pessoas não são igualmente francas para falar algo de bom, sempre invocando sua franqueza como escudo para suas grosserias?
Quando alguém, no meio de uma conversa, me pergunta: “Posso ser franco?”, eu sempre respondo que não. Assustada, a pessoa pergunta: “por quê?”, e eu costumo dizer: “porque achei que já estivesse sendo franco desde o início da conversa”. Normalmente, quem pede licença para ser franco, está querendo apenas ser estúpido. Bem diferente é o conselho que a Bíblia nos dá, ensinando a falar no tempo certo, para abençoar, restaurar e construir, não para destruir vidas ou reputações. Salomão ensina que há “tempo de estar calado e tempo de falar (Eclesiastes 3:7)”. Quando Deus quis purificar Isaías, mandou um anjo colocar uma brasa de fogo em seus lábios. “Se alguém não tropeça em palavras, é perfeito varão, apto a governar todo o corpo (Tiago 3.2)”.
Deus te abençoe abundantemente.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

E você, sabe perdoar?



“Ao Senhor pertence a misericórdia e o perdão”. Daniel 9:9

Quando um filho de carpinteiro chamado Jesus de Nazaré surgiu no cenário das areias da Palestina pregando o Evangelho, rapidamente as pessoas perceberam que a mensagem do jovem pregador era diferente de todos os outros que, antes e depois dele, apareceram naquele conturbado território. Havia uma frase que o Messias Prometido repetia sem cessar, e que fazia brilhar os olhos das platéias que o ouviam na beira da praia ou nas montanhas: “Arrependei-vos”.
O convite de Jesus, em outras palavras, sugeria aos ouvintes: “mudem de vida”. E ao lançar esta mensagem, também semeava uma esperança. Ouvidos acostumados a mensagens que falavam de um Deus rigoroso, vingador, pronto para punir com a Espada quem ousasse desafiar sua Santidade, ao ouvir as palavras de Jesus, foram apresentados a um Deus de Misericórdia. Rigoroso, sim, mas que está pronto a receber em seus braços aqueles que, sinceramente, mudam o curso de suas vidas. Através de Jesus, as pessoas passaram a experimentar a esperança de um Deus que não os rejeitaria pelos seus muitos pecados, se eles de fato se voltassem para Ele. Esta esperança reavivava a mensagem esquecida de antigos profetas bíblicos: “Tornai-vos para mim, diz o Senhor dos Exércitos, e eu me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos (Zacarias 1:3)”. “Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã (Isaías 1:18)”.
No entanto, será que nós somos como este Deus? Será que sabemos perdoar da mesma forma como Ele é capaz de esquecer nossa natureza pecaminosa? Alguns nem sequer admitem a noção de pecado, quanto mais de arrependimento. Pecado, segundo a Bíblia, é tudo aquilo que não provém da fé. Gosto da ilustração de um antigo pregador, que diz que o homem em pecado é como uma maçã bichada: por fora, nada se perde do seu brilho, nem mesmo da sua cor. A podridão só existe por dentro, e é ali que um verme corrói as entranhas da alma, pois o pecado possui, em si mesmo, uma punição inata: a sensação de tristeza profunda por desobedecer a vontade de Deus para nós, que é infinitamente superior á vontade humana.
Se não sabemos perdoar, dificilmente podemos requerer o favor de Deus. Jesus foi bastante claro na oração do Pai Nosso: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores (Mateus 6:12)”. Ou seja, o perdão de Deus está condicionado à nossa própria capacidade de perdoar. Se guardarmos rancor, Deus não ouvirá nem mesmo nossas orações.
Tenho visto pessoas que sofrem anos a fio por causa de uma mágoa contra alguém, e que mesmo sabendo seu erro, recusam-se a dar o braço a torcer. Alguns até mesmo dizem: “Não consigo ainda sentir o desejo de perdoar”. Ao longo de minha ainda jovem caminhada cristã, tenho aprendido que o perdão não é um sentimento, e sim uma atitude, uma decisão. Você tem que decidir perdoar, e o resto Deus realiza.
Perdoe e peça perdão. Quantas vezes for necessário. Assim estará agindo verdadeiramente como alguém criado à “imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26)”.
Deus te abençoe rica e abundantemente.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Conhecendo a Fé que liberta



“E uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada, chegando por detrás de Jesus, tocou na orla do seu vestido, e logo estancou o fluxo do seu sangue” (Lucas 8:43-44)

De todos os relatos surpreendentes dos Evangelhos, onde são narrados e documentados os feitos maravilhosos de Jesus Cristo na Terra, a passagem da Mulher do Fluxo de Sangue é um dos que me parece mais impressionantes. Não somente pela descrição do maravilhoso milagre, mas principalmente pelas lições morais que podemos extrair de todo o contexto.
Para quem nunca tenha ouvido falar, vale a pena fazer um breve relato. Jesus estava ensinando seus discípulos quando um tzadik, ou seja, um respeitável rabino de uma sinagoga ortodoxa, caiu de joelhos diante de Jesus pedindo que fosse até sua casa curar a sua filha. Jesus, que até aquele momento era o alvo predileto das prédicas dos fariseus, poderia ter cedido ao tipo de tentação que, vez por outra, acomete a qualquer ser humano quando um inimigo vem pedir ajuda. Se fosse qualquer um de nós, talvez dissesse não. Mas Jesus não olhava para as mesquinharias e contendas humanas. Nos olhos do fariseu, Jesus viu um pedido de socorro, e foi em direção à sua casa.
É no caminho que surge esta estranha personagem, a mulher do fluxo de sangue. Tratava-se de um estranho caso de hemorragia contínua, que acometeu a vida daquela mulher durante doze anos. A Bíblia não entra nesses pormenores, mas certamente essa mulher sofria de uma anemia profunda e de uma fraqueza endêmica, que a impedia de realizar muitas atividades consideradas normais. Na verdade, tratava-se de uma mulher excluída da sociedade em todos os aspectos, pois nem mesmo podia entrar no Templo. A Lei de Moisés dizia claramente que uma mulher, no período que durasse seu “fluxo de sangue”, era considerada “imunda”, ou seja, cerimonialmente impura. Nem a medicina nem a religião oficial podiam ser de qualquer ajuda para ela.
No entanto, quando ouviu dizer que Jesus passava por ali, a Bíblia relata que ela pensou: “Se eu puder tão-somente tocar em suas vestes, certamente serei curada” (Mt 9:21). O texto diz, de forma breve, que ela se aproximou de Jesus e tocou suas vestes, e ficou sã. Mas há algo mais nesta situação, algo que nos traz um poderoso ensinamento.
Pense na fraqueza de uma mulher, doze anos sangrando ininterruptamente. Ela sabia que não podia segurar em Jesus. Provavelmente não pudesse nem mesmo andar. Não é exagero imaginar que ela foi se arrastando, por debaixo da multidão curiosa que cercava Jesus, correndo o risco de até mesmo ser pisoteada, mas sem desistir um só instante ela fez o máximo que podia: tocar na orla de suas vestes. Os sábios judeus daquele tempo tinham o costume de usar franjas azuis na borda de seus vestidos, chamados tsitsit, que continham versículos bíblicos. Simbolicamente, ela tocou na Palavra de Deus, que era o próprio Jesus, a Palavra Viva, o Verbo Encarnado.
Quantos anos você espera por uma mudança em sua vida? Talvez você esteja enfrentando um grave problema há duas semanas, dois meses, cinco anos... aquela mulher, mesmo com todas as limitações que lhe eram impostas, teve fé. Mais do que isso, ela entendeu que a fé não é um processo passivo, de esperar sentado para que as bênçãos caiam do céu. Ela não ficou parada em casa esperando que Jesus fosse lhe curar, muito embora Jesus pudesse ter feito isso. Antes, ela preferiu ir atrás, correr riscos. E por isso conquistou sua vitória.
Você também deseja ser abençoado? Tenha fé! Arrisque-se. E Deus vai te abençoar plenamente.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O Terrível Ato de Maldizer


“Amas todas as palavras devoradoras, ó língua fraudulenta!” (Salmo 52;4)

Você já ouviu uma fofoca? Quem sabe, ao longo de sua vida, você mesmo já tenha pronunciado algum comentário de fonte não muito confiável a respeito de alguém, na base do “ouvi dizer”... Não, você não está sozinho nisso. Na verdade, nos dias atuais, em tempos de Internet e de informação na velocidade da luz, não são apenas as notícias e informações úteis que correm velozes. A fofoca também. Um dos exemplos desta nova “cultura da fofoca” da sociedade moderna é a profusão de programas de TV cujo principal assunto são os boatos, “quentes” ou “frios”, sobre a vida dos famosos ou nem tão famosos assim. Algumas “celebridades”, cientes de que esta é uma forma de estar na mídia, até mesmo incentivam, “plantam” informações maldosas sobre si mesmos, num ciclo vicioso e doentio.
No entanto, há quem ache um grande divertimento comentar da vida alheia. Estranhamente, quase nunca se comenta algo de bom, porque o tipo de comentário que “rende” é a observação injuriosa, e muitas vezes, mentirosa. A tradição judaica, dos primeiros intérpretes da Bíblia, equipara a fofoca ao assassinato, pois em ambos os casos está presente aquilo que a Bíblia chama de “derramamento de sangue inocente”. Na verdade, a Bíblia considera a fofoca pior do que o assassinato, porque a vítima ainda está viva para sofrer a injúria. Em outras palavras, a fofoca é uma espécie de assassinato da honra. O fofoqueiro é alguém que, segundo o Salmo 52, “ama todas as palavras destruidoras”. Mais acima, o mesmo texto diz: “A tua língua intenta o mal, como uma navalha afiada, tramando enganos (v.2)”.
O célebre psicólogo Carl Gustav Jung, contemporâneo de Freud, ensinava que o fofoqueiro é alguém que não conseguiu satisfazer sua vida e auto-estima pelos meios normais, e precisa da maledicência para se compensar. Em outras palavras, o fofoqueiro é um doente, que muitas vezes não avalia as dimensões do mal que gera.
Deus dá muito valor àquilo que falamos. Tanto assim é que a oração é o meio que Ele instituiu para adquirirmos o Seu favor. Se proferirmos bênçãos, seremos abençoados; se, no entanto, proferimos maldições, seremos abençoados. O rei Salomão, sabiamente, ensina: “A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto” (Provérbios 18:21). Jesus, de forma ainda mais radical, repudia os lábios cheios de comentários maldosos com um argumento incontestável: “A boca fala daquilo que o coração está cheio!” (Mateus 12:34).
Portanto, vigiemos nossos lábios e nosso coração todos os dias, para que nossa boca pronuncie somente palavras abençoadoras: um elogio, uma gentileza, um hino de louvor a Deus...e se você é do tipo inteligente e sagaz, contenha sua ironia. Tente fazer da sua notável inteligência uma forma de ajudar os outros, não de destruí-los. O Salmo 15 diz que só entrará no Santuário de Deus (ou seja, no coração de Deus) quem “não difama com sua língua e não faz mal a seu próximo”.
Deus livre você das línguas fraudulentas... e, principalmente, livre-o de ser uma delas!
O Senhor Jesus te abençoe abundantemente.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Mexa-se!



“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gen 12:1).

Abraão é, de fato, um dos personagens mais impressionantes não somente da Bíblia Sagrada, mas de toda a história da civilização humana. Conta a Bíblia que, depois de ouvir a voz de Deus, Abraão saiu de sua terra, em Ur da Caldéia, por volta de uns 4500 anos antes de Cristo, e sem saber direito para onde ia, iniciou uma peregrinação rumo à Terra de Canaã, que séculos mais tarde, foi dada por herança divina a seus descendentes, os hebreus. Abraão é saudado não somente como pai de uma linhagem com séculos e séculos de tradição, mas por sua capacidade de seguir ao chamado de Deus mesmo sem entender muito bem o que estava acontecendo, ele é justamente reconhecido como “O Pai da Fé”.
Um judeu, não importa se for asquenazita, sefardita, ortodoxo, conservador, hassídico ou liberal, sempre reconhecerá Abraão como o grande Pai da Fé. Um cristão, seja ele católico, protestante, evangélico, pentecostal ou batista, sabe também que Abraão é o Pai da Fé. Um muçulmano, seja ele xiita, sunita, dervixe ou de qualquer outro ramo maometano, também lembra-se de Abraão (ou Ibrahim, segundo a pronúncia árabe) como o Pai da Fé. A ousadia espiritual de um homem que decidiu “se mexer”, tornou-o pai não somente de uma linhagem física, mas também o pioneiro da fé em um único Deus. Todas as crenças monoteístas, separadas entre si por tão grandes controvérsias, reconhecem uma herança comum na figura de Abraão.
Penso que Abraão foi assim tão grandioso porque ele entendeu a verdadeira essência da fé em Deus. Antes de entendermos o que é a Fé, precisamos entender o que ela não é. E, embora essa afirmação possa chocar muitas pessoas, a verdade é que a fé não é, de forma alguma, um processo passivo. Crer em Deus é muito mais do que uma simples compreensão intelectual da existência de um ser superior, muito mais do que admitir mentalmente que um Deus existe. A verdadeira fé é um processo ativo, ou seja, uma disposição que nos faz assumir, em todas as atitudes que tomamos na vida, uma dimensão de encorajamento espiritual.
Abraão não fazia a menor idéia de onde deveria ir. A voz de Deus lhe disse apenas: “Sai da tua Terra e vai para o lugar que te mostrarei”. Mais ou menos como quem diz: “Sai daí, que depois eu te digo o que fazer”. E, mesmo sem nunca ter ouvido antes a voz daquele Deus que de repente lhe dava aquela ordem, ele foi. Numa era em que todos desejam respostas claras e objetivas para todos os desafios, Abraão certamente seria chamado de louco. E, de fato, muitos homens de fé, antes e depois dele, foram chamados assim.
Deus fez um convite a Abraão: “mexa-se”. O mesmo convite Ele nos faz hoje. As coisas estão difíceis, sem perspectiva? Ou todos os desafios foram alcançados, e não há mais sonhos pra sonhar? Mexa-se! Deus não nos quer acomodados. Deus nos quer no campo de batalha, criando, motivando, agindo, trabalhando. Isto sim, é agir com verdadeira Fé: não deixar nunca de fazer a sua parte, crendo que Deus é poderoso para fazer também a dEle.
Martinho Lutero, o Grande Reformador, deixou um importante legado nesta afirmação: “Não conheço muito bem o caminho pelo qual estou sendo guiado, mas conheço muito bem o meu Guia”. Está indeciso? Não tem ainda uma idéia clara de onde isso tudo vai dar? Creia em Deus. Ele está no controle, e não deixará que você seja abatido. Apenas continue.

Deus te abençoe.