quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

João Batista e Jesus: um Tributo...


João Batista, em gravura medieval da Igreja Copta Ortodoxa

Uma das passagens mais emocionantes dos Evangelhos (e falo aqui a partir de uma perspectiva bastante pessoal) é o trecho de Mateus 11, em que discípulos enviados por João Batista questionam Jesus a respeito de sua messianidade. Após respondê-los que “os cegos vêem, os coxos andam, os paralíticos são levantados e aos pobres é anunciado o Evangelho”, Jesus inicia um discurso profundamente elogioso, emocionado mesmo, sobre João Batista. Para quem lê a Bíblia com os olhos de um cristão, trata-se de um fato nada desprezível ser digno de menção pelo próprio Filho de Deus.
Esta pequenina passagem tem lições imensas para toda a nossa vida. A primeira, nos é dada pelo próprio João Batista. Alguns leitores apressados (como eu fui, no passado), diante desta passagem se questionam: por que João Batista, meses depois de batizar Jesus e proclamar que ele era o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, mandou lhe perguntarem se ele era mesmo o Messias que haveria de vir? Teria tido algum momento de dúvida, pelo fato de estar preso?
A verdade, entretanto, apresenta um prisma muito mais fascinante. Depois de batizar Jesus, João Batista continuou arrebanhando discípulos e pregando o arrependimento. Muitos deles apenas tinham ouvido falar de Jesus, e tinham muitas dúvidas. João Batista sabia que, para estes, não bastava apenas argumentar ou fazer uma defesa apologética. Por isso João mandou que fossem até Jesus, pois estes precisavam ter o seu próprio contato pessoal, a sua própria experiência com o Mestre Nazareno.
Mais do que crer em Deus, o que precisamos verdadeiramente é ter um encontro pessoal, uma experiência com Ele. Muitos que afirmam crer em Deus crêem apenas por uma convenção social, mas não têm, de fato, uma experiência pessoal com Ele. João Batista compreende esta necessidade, e num gesto de grandeza de quem não tem receios autoritários quanto a seus discípulos, manda-os até Jesus.
A resposta do Mestre, como sempre, não poderia decepcionar. Ao invés de se indignar com a pergunta impertinente dos discípulos de Batista (que tinham tanto receio dela que usaram a autoridade do nome de seu mestre para perguntar), e começar uma longa peroração sobre as profecias das escrituras, sua linhagem davídica e por aí afora, Jesus simplesmente diz: “Dizei a João o que tendes visto”. Os resultados da ação de Jesus, com o poder divino do Espírito Santo sobre a vida de diversas pessoas, falava mais alto que qualquer discurso. E isto serve para nosso exemplo, nossa vida cristã. Como diz o meu professor da faculdade de Teologia, pastor Dalmo Dourado: “O que és, fala tão alto que não ouço o que tu dizes”.
Logo depois, diante dos discípulos exalta a grandeza de João Batista, o precursor de seu ministério. Fala com carinho sobre o primo e preceptor, com a grandeza de quem não veio para desconstruir o passado, mas para ajustá-lo à perspectiva do presente. Fez isso de maneira absolutamente coerente com o que disse no Sermão do Monte: “Não vim para revogar a lei, mas para cumprir”.
Por isso, sempre desconfio de todo tipo de “movimento salvacionista” que surge criticando tudo o que existiu antes e se apresentando, sem modéstia, como “os únicos portadores da verdade”. Este tipo de comportamento deve ser sempre vigiado de perto, seja no campo da fé, da política, das ciências... qualquer um que chega com aquele discurso de “nunca antes na história deste país...” Cuidado. Se for na igreja, é heresia. Se for nas artes ou nas ciências, é embuste; e se for na política, é autoritarismo puro mesmo. Jesus, como provam estas passagens do Novo Testamento, não desconheceu os que deram do seu suor antes dele. Quem somos nós, portanto, pra agir desta forma?

2 comentários:

Rharry Belloti disse...

Cara, a verdade é que sou de uma religião diferente da sua...então não tenho muito a dizer.
Mas, a idéia do blog é muito criativa mesmo!

Eucledson disse...

Sou cristao e concordo. Mas, recomendo concentracao e analise no encontro de Joao Batista e Jesus.