terça-feira, 25 de março de 2008

A Nova Aliança profetizada na Antiga


Os seguidores do judaísmo ortodoxo contemporâneo, profundamente hostis ao cristianismo de uma forma geral e à pessoa de Jesus em particular, não se cansam de repetir que a Nova Aliança é uma farsa, alegando que Deus não muda e que seu pacto com Moisés é imutável, e que portanto, não haveria necessidade de uma Nova Aliança.

Ocorre que o próprio pacto de Moisés estabelece condições para a sua permanência. Se a apostasia prevalecesse, Deus deixa claras as sanções graves e firmes que viriam como decorrência da desobediência. Deuteronômio (Devarim) 28:15-69 esclarece bem as penalidades para tais casos.

Além do mais, a Nova Aliança não é uma invenção cristã. Está profetizada na própria Tanakh há muitos anos, como se vê claramente em Jeremias (Yirmiáhu) 31:30-32. Aqui, vamos usar a tradução da Bíblia Hebraica conforme Jairo Fidlin e David Gorozovitz, considerada como "judaicamente correta":

"Aproximam-se os dias - diz o Eterno - quando estabelecerei um novo pacto com a Casa de Israel e com a Casa de Judá. Não será como o que estabeleci com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para retirá-los do Egito, pois violaram Minha aliança, embora eu fosse seu Deus - diz o Eterno. Pois este é o Pacto que farei com a Casa de Israel após aqueles dias - diz o Eterno: farei com que internalizem a minha Torá em todo o seu ser e a gravarei em seu coração; serei seu Deus e eles serão meu povo"Ora, prestemos atenção ao que diz o texto.

O profeta fala de uma Nova Aliança que congregaria as casas divididas de Israel e Judá. Do ponto de vista literal, tal reconciliação não é mais possível, uma vez que a Casa de Israel foi inteiramente dispersa no cativeiro, e os judeus que hoje existem são remanescentes da Casa de Judá.

Ora, mas se a Bíblia profetiza isso, estaria ela incorreta? De modo algum. Aqui, a expressão "Casa de Israel" é uma alusão simbólica aos que viriam a ocupar aquele mesmo território, como os gentios de Shomrom (Samaria). Neste sentido, a "Casa de Israel" do texto simboliza o tempo dos gentios - ou seja, a Igreja.

O texto fala ainda de quais seriam as características desta Nova Aliança, que seria um período em que a Torah seria internalizada no coração dos homens. Trata-se, portanto, de uma aliança que não se baseia em exigências ritualísticas ou exteriorizadas, como a Aliança de Moshé, que preconiza 613 mitsvot (prescrições).

É exatamente isto o que a Bíblia cristã afirma a respeito da doutrina de Jesus Cristo, que enfatiza a internalização da Lei do Amor de Deus, em detrimento de um amplo sistema que havia pervertido a Torah em puro legalismo. A Nova Aliança de Jeremias e a Aliança da Graça, o Novo Testamento de Jesus Cristo, descrevem, portanto, a mesma realidade.

Os judeus não compreendem desta forma, porque atualmente seu entendimento das escrituras é inteiramente dependente de uma obra tardia e revisionista, chamada Talmud (Tradição), que em muitos casos subverte e distorce o que a própria Torah ensina. Mais uma profecia de Jeremias sendo cumprida:

"(JR 2:13) - Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas."

O Manancial de águas vivas é a Tanakh, a Torah pura, da forma como ela é. Os próprios judeus concordariam com isso, já que D-us, segundo o ensino rabínico, não "está" na Torah, ele "é" a própria Torah. Portanto, será preciso dizer o que seriam as "cisternas rotas" de Jeremias?

Sem se alimentar da Tanakh pura e simples, fica difícil aceitar que a Nova Aliança é uma realidade.

Um comentário:

caioarroyo disse...

Eu sou ateu, masi acredito que qlqr mudanças ou novas religioes é um enorme problema, acho dificil um dia acabar a briga entre os religiosos mais antigos e os mais novos, nao importando a religiao

http://tvcinemaemusica.wordpress.com