quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Sobre Marco Aurélios, o Garcia e o Weber...


Marco Aurélio é o nome do assessor especial da Presidência, de sobrenome Garcia, aquele que fez um gesto obsceno quando da divulgação de uma reportagem que "salvava" a imagem do governo Lula diante do acidente do vôo JJ 3054 da TAM.
Marco Aurélio é também o nome de um particular amigo, assessor especial do Fórum local, de sobrenome Weber e colunista do Jornal "O Imparcial", de São Gabriel, que tem posições ideológicas bastante distante das minhas.
Pois neste sábado, 08 de agosto, os dois Marcos Aurélios se encontraram, pelo menos ideologicamente. Em sua coluna dessa data, Marco Aurélio, o Weber, defende Marco Aurélio, o Garcia. Eis o trecho da coluna de Weber, em negrito:

Episódio Marco Aurelio Garcia que, em meio à crise gerada pela queda do airbus da TAM, fez um gesto obsceno sob a vigilância ilegal e abusiva da câmera de um repórter sensacionalista, alimentou o ódio de alguns e a indiferença de outros.
O terceiro grupo, bem menos numeroso e do qual faço parte, enxerga mais longe, muito além do episódio, ou seja, vê a situação como, no mínimo, invasão de privacidade, passível, inclusive, de ação judicial.
Você, eu ou qualquer pessoa, entre quatro paredes, inclusive no ambiente de trabalho, entre colegas, tem o direito de fazer o que quiser. É lamentável e preocupante a distorção eo estardalhaço que foram feitos.
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Eu podia ficar quieto, mas não consigo. Vai aí uma resposta a ele endereçada, em itálico:

Prezado Amigo Marco Aurélio:

Primeiramente, sorte neste retorno às lides de imprensa. Este contumaz leitor já sentia falta.
Hesitei por muitos dias em saber se te enviava ou não essas observações a respeito de tua recente coluna, mas resolvi crer que nossa amizade mútua nos permite essas pequenas discordâncias, ainda que eu saiba que, na tua coluna, sempre terás a palavra final, como é o desejável, diga-se de passagem.
Todavia, não pude deixar de me surpreender ao ver tua defesa do gesto praticado pelo senhor Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República, diante da notícia de que uma falha técnica poderia ter resultado o desastre do Airbus da TAM, em que morreram centenas de brasileiros. Me parece que lhe ofendeu mais o fato de a Rede Globo ter flagrado o gesto ofensivo do grande conselheiro do que a agressão em si, que ficaria impune não fosse a presença da imprensa diante das janelas do Palácio do Planalto.
A uma certa altura do texto, o amigo declara que qualquer pessoa, entre quatro paredes, inclusive no ambiente de trabalho, entre colegas, tem o direito de fazer o que quiser. Não posso concordar com tal afirmação, ainda mais quando se trata de um assessor judicial de alta envergadura, que sempre soube se comportar com denodo nas repartições judiciais onde trabalhou, fato de que sempre fui testemunha nas vezes em que lhe visitei. Se formos considerar que cada pessoa pode fazer o que quiser, no ambiente de trabalho entre quatro paredes, não poderia ser punido pela lei quem, por exemplo, praticasse sexo dentro de um gabinete. O senhor sabe, melhor do que eu, que no serviço público, não cabe nenhum comportamento de caráter privado.
Esta é a distância, aliás, que o governo Lula parece não mais distingüir: a separação entre o público e o privado. Integrantes de uma agência de Aviação Civil que viajam de graça nas companhias que deveriam fiscalizar, empreiteiras que pagam contas de amantes de senadores aliados de Lula, companhias que subsidiam atividades do filho do presidente e recebem atenção especial do governo... são inúmeros os casos, de que o gesto do senhor Marco Aurélio é apenas um triste emblema, além de um grave desprezo diante da dor de centenas de famílias. Valia mais comemorar um fato que talvez salvasse a honra do governo, ainda que sapateando sobre os cadáveres? Este cidadão, nem mesmo dignou-se a pedir desculpas com clareza pelo ato, limitando-se a evasivas.
Perdoe-me a indiscrição e até a extensão desse texto, mas se perdemos nossa capacidade de indignação, não deixamos nossas esperanças criar raízes.


Claro que, por dever de justiça, publico também a resposta que ele me enviou, em caráter pessoal, no texto abaixo:

Meu caro Claudio:
Inicialmente, obrigado pelo prestígio.
Ao contrário do que possa parecer, não estou fazendo qualquer apologia ao autor do gesto.
Apenas defendo o sagrado direito de ação e privacidade, sem qualquer conotação pessoal.
Imprensa marrom, sensacionalista e invasiva à privacidade, tem passagem livre comigo.
Há coisas, dileto amigo, que vão além de simples gestos isolados, que atingem o todo, que comprometem até mesmo o futuro e, como bom pai, não quero determinadas coisas, determinadas práticas ilegais, abusivas e covardes, em uso no país que legarei aos meus filhos.
Assim como defendo o direito sagrado de opinião, por mais absurda que ela possa parecer, por mais chocante que se apresente aos nossos olhos ou estômagos, afinal, a reação à morte, à tragédia, ao inusitado é um sentimento pessoal e inalienável.
Assim como alguns chorarão a minha morte, outros indeferentes, muitos se sentirão satisfeitos com ela.
É do ser humano.
Um grande abraço.
Marco.

Um comentário:

Gilmar disse...

Petralha divaga e não te dá resposta convincente. Ou tu acha que os falsos comunistas e socialistas que se apegam ao poder irão mudar de opinião?? Eles só jogam para a torcida, inclusive os locais tbm. Ou iremos socializar o pouco campo que o Erasmo tem?? E o MAW já foi mais inspirado, ultimamente do pouco que leio, é quase só babaquice ao referir-se a Republica Sindicalista, dos burgueses do capital alheio..

abraço
Lanza