sábado, 10 de maio de 2008

Quer vitória? Se prepare para batalhar!



“E eis que uma mulher que havia já doze anos padecia de um fluxo de sangue, chegando por detrás dele, tocou a orla de sua roupa; Porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar a sua roupa, ficarei sã. E Jesus, voltando-se, e vendo-a, disse: Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E imediatamente a mulher ficou sã.” (Mateus 9:20-22)

Sonhar, querer realizar grandes projetos, construir uma trajetória de felicidade, é algo que é inerente a todo ser humano. No entanto, enquanto alguns conquistam seus objetivos e constroem um futuro de sucesso, muitos passam pela vida apenas sonhando com um projeto, e se lamentando por não conseguir realizá-lo. Normalmente, estas pessoas desenvolvem uma grande frustração, e na tentativa de racionalizar a situação de fracasso em que se encontram, precisam encontrar um culpado. ‘Se estou assim, a culpa é da minha família, ou de um amigo, ou de um inimigo, ou do governo’... se a energia que algumas pessoas gastam para encontrar culpados fosse investida em realmente trabalhar pela realização de seu sonho, o mundo teria muito menos pessoas frustradas e desacreditadas do seu próprio potencial.
No entanto, ficar parado se lamentando não é uma receita que costume funcionar. O inimitável escritor renascentista inglês Willian Shakespeare, que teve boa parte de sua erudição como influência da tradução bíblica de seu contemporâneo Willian Tyndale, registrou em um dos mais belos textos do mundo: “Não importa em quantos pedaços seu coração fique partido, o mundo não pára pra que você o conserte”. O segredo para conquistar vitórias não está em uma postura de auto-piedade, mas sim em tomar atitudes motivadas por uma fé verdadeiramente ativa em Deus.
Pare um momento para imaginar a cena. Jesus cruzando as ruas de Cafarnaum, a cidade onde tinha a base de seu ministério. Centenas de curiosos o acompanham, como sempre acontece quando alguém importante visita uma cidade pequena. A turba de gente passa pela casa de uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos, e que tinha gasto muito dinheiro na mão de médicos que não a puderam curar. Ouvindo falar a respeito daquele homem que tinha curado muitas pessoas por onde passava, aquela mulher, cujo nome a Bíblia não informa, tomou a decisão de ir atrás de Jesus, dizendo para si mesma: “se eu apenas conseguir tocar suas vestes, sei que serei curada”. Se para pessoas de perfeita saúde já é difícil passar por uma multidão para falar com alguém, imagine para uma mulher enfraquecida por doze anos de hemorragia.
Mesmo impedida de caminhar pela fraqueza, ela não desanimou. Foi até Jesus se arrastando, passando por baixo dos pés de uma multidão de gente. Ela não tinha forças nem mesmo para segurar o manto de Jesus, mas conseguiu tocar nele, e recebeu a cura, o seu sonho, a vitória que tanto buscava, porque não desanimou. Se ao invés de se arriscar, aquela mulher tivesse ficado em casa esperando que Jesus passasse por ali, talvez nada tivesse acontecido. Se queremos vitórias, devemos estar dispostos a lutar por elas.
Em um dos trechos mais maravilhosos do Evangelho, Jesus ensina: “Não se turbe o vosso coração, creia em Deus, creia também em mim” (João 14:1). No original hebraico, “creia” significa “se arrisque”. Crer em Jesus não é um processo passivo. Ele espera de nós atitudes transformadoras, pois são elas que revelam em nós uma fé capaz de atrair sobre nossas vidas o favor de Deus, e nos trazer a vitória. Mas vá em frente, não se deixe levar pelo desânimo. Se você confiar, Deus estará com você.

O Valor de um Amigo


“Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão” (Provérbios 17.17).

Uma das maiores bênçãos que Deus pode conceder para a nossa vida é o profundo valor da amizade. Não há ser humano que possa ter uma vida de qualidade ou uma saúde mental perfeita sem o convívio fraterno com amigos verdadeiros. Mesmo aquelas pessoas que buscam se refugiar da realidade em mosteiros, como ainda é costume em tradições religiosas mais antigas, acabarão desfrutando da companhia de outros, que fatalmente se tornarão seus amigos.
A Bíblia nos conta a história da bonita amizade entre Davi e Jônatas. Davi era genro do rei Saul, e Jônatas filho do rei. Os dois desenvolveram uma profunda amizade, e quando o coração de Saul se voltou contra Davi a ponto de querer mata-lo, o jovem pastor de ovelhas acabou contando com a proteção do filho do rei. Quando Jônatas e Saul morreram em combate contra os filisteus, Davi proclamou: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres (2Sm 1.26)”. Esta frase pode chocar alguém que não tenha jamais sentido um laço de verdadeira amizade com alguém, mas quem já teve um amigo verdadeiro sabe o quanto Davi tem razão. A paixão é um sentimento que pode às vezes ser cruel e ditatorial; a amizade, no entanto, aceita, compreende, motiva, impulsiona, sem exigir nada. Um amor entre um casal, por exemplo, é sempre mais bem sucedido quanto maior for a amizade, o companheirismo, entre os dois.
Lendo a Bíblia Sagrada, compreendemos que uma das motivações para a qual o ser humano foi criado foi o desejo de Deus em ter um amigo. Deus sempre buscou no coração do homem o sentimento da amizade, este conceito tão difuso que o nosso Dicionário Aurélio define como “Sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura”. Todos os grandes patriarcas da Bíblia, como Abraão, Isaque, Jacó, Moisés e os profetas, foram homens com quem Deus quis ter um relacionamento diferenciado. A tal ponto Deus levou esta questão a sério que quis dividir com estes homens tudo o que fazia, e até pedia opiniões. Um Deus onipotente pedindo a um mortal, sugestões sobre o que deveria fazer? Deus fez isso com Abraão, quando pensava em destruir Sodoma e Gomorra. Deus confiava tanto em Abraão que queria que ele fizesse parte de todas as coisas que tencionava fazer.
O maior testemunho do amor de Deus para com a humanidade foi Jesus, nosso Salvador. Um de seus nomes também era Emanuel, ou seja, “Deus conosco”. Através de Jesus, Deus compartilhou com a humanidade seu desejo de ser visto não mais como um rei indiferente, distante em seu trono majestático, sempre pronto a castigar os faltosos, mas antes de tudo como um Deus amoroso, que sempre desejou estar perto de seus filhos, com sentimento de verdadeira amizade. Jesus levou isso a sério. Todos os estudiosos dos Evangelhos concordam que Pedro, Tiago e João eram amigos especiais para Jesus, dentre os doze apóstolos. Quando sabia que era chegada sua hora, Jesus confessou que ele os considerava como amigos: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.”
Jesus quer ser seu amigo. Não aquele amigo-da-onça, que só está com você nas horas boas, mas amigo fiel, aquele amigo da hora ruim, da hora em que ninguém dá um centavo furado por você. Ele está apenas esperando o seu convite. Aceite este amigo hoje mesmo.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Um dia qualquer...o dia da sua virada!


Na correria da nossa vida pós-moderna, é muito fácil que a rotina tome conta de nossas vidas, e os dias se sucedam exatamente iguais, um após o outro. Do trabalho para casa, de casa para o trabalho, e até mesmo nos fins de semana fazer o mesmo de sempre, fingindo que está se divertindo. Muitas pessoas, diante do frenético e quase inevitável corre-corre destes dias nervosos, deixam de acreditar que algo especial possa acontecer em suas vidas.
Em casos mais drásticos, este vazio de perspectivas pode gerar problemas sérios. Conheço, infelizmente, muitos relatos de jovens que começaram a se viciar em drogas pesadas pelo desejo de experimentar algo que fosse novo e interessante. Muitos deles até sabiam dos danos futuros, mas quiseram correr o risco para que algo interessante acontecesse em suas vidas, ao menos uma vez.
Como lidar com a sensação real de apatia acachapante que assola dezenas de famílias todos os dias? A Bíblia, felizmente, nos apresenta um sem-número de exemplos de pessoas que, num dia que tinha tudo para ser outro dia qualquer, sentiram fortemente a presença de Deus, e mudaram suas vidas.
Depois de 40 anos vivendo de forma nababesca na corte de Faraó, Moisés mata um egípcio que castigava fisicamente um escravo judeu. Maneira errada de mudar sua vida, pois depois daquela ocasião, teve de viver como fugitivo em Manre. Quarenta anos depois, Moisés estava fazendo o que sempre fazia, num dia qualquer, pastoreando os rebanhos do sogro, olhando pro mesmo pasto, cuidando das mesmas ovelhas. Mas foi justamente naquele dia, um dia como outro qualquer, que ele viu a sarça ardente que não se consumia, e ali falou pela primeira vez com Deus. Este dia mudou para sempre sua história.
Gideão, vivendo em uma Israel colonizada pelos midianitas, estava como noutro dia qualquer de sua vida, trabalhando. E foi nesta ocasião que o Anjo do Senhor lhe apareceu, entregando-lhe a missão de livrar Israel da opressão. O pequeno Davi, num dia como outro qualquer, cuidava das ovelhas de seu pai em pleno campo. Mas naquele dia, ele foi chamado em casa e um profeta que estava na sala, com seu pai, o ungiu Rei de Israel.
Quatro pescadores na praia da Galiléia, como em um dia qualquer de suas vidas, lavavam suas redes depois de uma pescaria frustrante. Naquela mesma praia onde pescavam todos os dias, encontraram um filho de carpinteiro que os convidou a se tornar “pescadores de homens”. Aquele dia mudou para sempre a história de suas vidas. Estes homens estavam atentos e souberam reconhecer quando Deus quis lhes chamar a atenção. Talvez hoje seja para você um dia como outro qualquer. Pode ser que ao ouvir uma canção, ao ler este texto, ao prestar atenção em um e-mail, Deus queira chamar a atenção.
Fique atento! Hoje pode ser o dia que vai mudar sua vida! Se você abrir seu coração para Jesus, com certeza este dia será muito, muito diferente.
Deus te abençoe.

sábado, 29 de março de 2008

Ditadura do Relativismo: O Triste Exemplo Europeu


O Parlamento da Holanda, um dos países-membros da União Européia, numa votação que chamou a atenção de toda a mídia mundial, aprovou, em fevereiro de 2008, uma nova lei que permite a qualquer cidadão, a prática de sexo no ambiente das praças.
Em dezembro de 2007, o pastor inglês Stephen Green foi detido pela polícia britânica por ter distribuído folhetos evangelísticos em uma praça londrina. Os textos “subversivos” distribuídos por Green diziam: “Jesus Cristo é o único Salvador de todos os nossos pecados”. A distribuição de folhetos evangelísticos é proibida também na França, Holanda, Suécia e diversos outros países do bloco. Na Suécia, o pastor Ake Green foi preso ao distribuir folhetos evangelísticos durante uma passeata gay. A mídia sueca fez forte pressão contra o pregador, acusando-o de ferir os direitos humanos. Na Suécia, um pastor pode ser preso simplesmente por abrir a Bíblia em Romanos 1.26-27, texto onde o apóstolo Paul repudia a prática do homossexualismo. No mesmo ano, a Câmara Municipal de Norfolk, na Inglaterra, recusou-se a aprovar os estatutos da Casa Barnabé, que abriga jovens desamparados em Kingslynn, apenas porque o texto possuía a palavra “cristão”.
O que estas decisões tão díspares entre si querem nos revelar? A Europa, berço de Enrich Zwingli, John Huss, Martinho Lutero, Jean Calvine, John Milton e muitos outros, hoje permite até mesmo atos sexuais nas praças, mas proíbe que as igrejas pratiquem evangelismo e exerçam sua liberdade de expressão nestes mesmos locais. Isto demonstra que o politically correct, pensamento predominante na cultura européia dos dias atuais, apesar do discurso de tolerância, respeito aos direitos humanos, respeito à diversidade e outras bandeiras, possui uma prática que demonstra que estes valores não valem para os cristãos. Comportamentos que outrora eram considerados repugnantes pelo ensino da Bíblia Sagrada, foram sendo tolerados com o passar dos anos e hoje se tornaram uma verdadeira imposição. Grupos defensores deste tipo de pensamento falsamente pluralista, já não se preocupam mais em conquistar seus direitos, mas querem impor seu comportamento como uma regra para toda a sociedade civil.
As praças, desde os tempos da antiga democracia grega, sempre foram locais de exercício pleno da convivência comunitária, da discussão de idéias. O magistral poeta brasileiro Castro Alves proclamava que “a praça é do povo, como o céu é do condor”. No entanto, o moderno pensamento liberal, aprovando esta nova permissão para a prática do sexo nas praças holandesas, rouba o espaço público para a prática de um ato privado, querendo impor um triunfo simbólico do individualismo egocêntrico e anticristão sobre os valores familiares da cristandade. O célebre escritor Alan Broom aborda justamente a ótica míope do relativismo em sua obra “O Declínio da Cultura Ocidental (São Paulo, Best Seller, 1989).
A Holanda que hoje aprova o sexo livre nas praças e o uso indiscriminado de drogas em qualquer lugar público, somente experimentou o crescimento de uma consciência social quando seus valores eram inspirados nas Sagradas Escrituras, como nos tempos do renomado teólogo Abraham Kuyper (foto), feroz defensor da ortodoxia bíblica contra o racionalismo cristão e a teologia liberal, que assimilou valores do humanismo ateu. Fundador da Universidade Livre de Amsterdã, o pastor Abraham Kuyper foi deputado pelo Partido Anti-Revolucionário, autor de um código de defesa dos direitos dos trabalhadores, o qual baseou em Tiago 5.1-11. Foi primeiro-ministro da Holanda de 1900 a 1905, ampliando o direito ao voto e criando a primeira legislação trabalhista do país. Outro exemplo notável foi o deputado inglês Willian Wilberforce, pregador protestante, que depois de apresentar por nove vezes o mesmo projeto aprovado somente em 1807, fez com que a Inglaterra fosse o primeiro país do mundo a abolir a escravidão. Os valores cristãos, que historicamente sempre estiveram na vanguarda dos direitos dos homens e mulheres, agora são banidos da vida européia em nome de uma falsa consciência universal, que prega pluralismo e liberdade para todos os indivíduos... menos para os cristãos.

terça-feira, 25 de março de 2008

A Nova Aliança profetizada na Antiga


Os seguidores do judaísmo ortodoxo contemporâneo, profundamente hostis ao cristianismo de uma forma geral e à pessoa de Jesus em particular, não se cansam de repetir que a Nova Aliança é uma farsa, alegando que Deus não muda e que seu pacto com Moisés é imutável, e que portanto, não haveria necessidade de uma Nova Aliança.

Ocorre que o próprio pacto de Moisés estabelece condições para a sua permanência. Se a apostasia prevalecesse, Deus deixa claras as sanções graves e firmes que viriam como decorrência da desobediência. Deuteronômio (Devarim) 28:15-69 esclarece bem as penalidades para tais casos.

Além do mais, a Nova Aliança não é uma invenção cristã. Está profetizada na própria Tanakh há muitos anos, como se vê claramente em Jeremias (Yirmiáhu) 31:30-32. Aqui, vamos usar a tradução da Bíblia Hebraica conforme Jairo Fidlin e David Gorozovitz, considerada como "judaicamente correta":

"Aproximam-se os dias - diz o Eterno - quando estabelecerei um novo pacto com a Casa de Israel e com a Casa de Judá. Não será como o que estabeleci com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para retirá-los do Egito, pois violaram Minha aliança, embora eu fosse seu Deus - diz o Eterno. Pois este é o Pacto que farei com a Casa de Israel após aqueles dias - diz o Eterno: farei com que internalizem a minha Torá em todo o seu ser e a gravarei em seu coração; serei seu Deus e eles serão meu povo"Ora, prestemos atenção ao que diz o texto.

O profeta fala de uma Nova Aliança que congregaria as casas divididas de Israel e Judá. Do ponto de vista literal, tal reconciliação não é mais possível, uma vez que a Casa de Israel foi inteiramente dispersa no cativeiro, e os judeus que hoje existem são remanescentes da Casa de Judá.

Ora, mas se a Bíblia profetiza isso, estaria ela incorreta? De modo algum. Aqui, a expressão "Casa de Israel" é uma alusão simbólica aos que viriam a ocupar aquele mesmo território, como os gentios de Shomrom (Samaria). Neste sentido, a "Casa de Israel" do texto simboliza o tempo dos gentios - ou seja, a Igreja.

O texto fala ainda de quais seriam as características desta Nova Aliança, que seria um período em que a Torah seria internalizada no coração dos homens. Trata-se, portanto, de uma aliança que não se baseia em exigências ritualísticas ou exteriorizadas, como a Aliança de Moshé, que preconiza 613 mitsvot (prescrições).

É exatamente isto o que a Bíblia cristã afirma a respeito da doutrina de Jesus Cristo, que enfatiza a internalização da Lei do Amor de Deus, em detrimento de um amplo sistema que havia pervertido a Torah em puro legalismo. A Nova Aliança de Jeremias e a Aliança da Graça, o Novo Testamento de Jesus Cristo, descrevem, portanto, a mesma realidade.

Os judeus não compreendem desta forma, porque atualmente seu entendimento das escrituras é inteiramente dependente de uma obra tardia e revisionista, chamada Talmud (Tradição), que em muitos casos subverte e distorce o que a própria Torah ensina. Mais uma profecia de Jeremias sendo cumprida:

"(JR 2:13) - Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas."

O Manancial de águas vivas é a Tanakh, a Torah pura, da forma como ela é. Os próprios judeus concordariam com isso, já que D-us, segundo o ensino rabínico, não "está" na Torah, ele "é" a própria Torah. Portanto, será preciso dizer o que seriam as "cisternas rotas" de Jeremias?

Sem se alimentar da Tanakh pura e simples, fica difícil aceitar que a Nova Aliança é uma realidade.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Os novos "pecados" do Papa... Será mesmo?


Bispo ligado ao papa Ratzinger imagina novos pecados "sociais", numa clara concessão ao esquerdismo católico. Há base bíblica para isso?

O papa Bento XVI divulgou uma lista de novos pecados. Quer dizer, mais ou menos isso. Na verdade, a lista de 13 pecados, com os sete antigos pecados capitais e cinco novos pecados "sociais", foi estruturada pela mídia após uma entrevista do bispo Dom Gianfranco Girotti, bispo regente do Tribunal da Penitenciária Apostólica. Meu sempre bem informado irmão Carlos André Moreira, da Zero Hora, corrige a falsa informação que circula pelo mundo todo. A entrevista de Giroti ao L'Osservattore Romano, órgão noticioso da Santa Sé, elenca uma série de pecados do mundo globalizado, sem intenção de estipular nova regra de fé. Dessa vez eu caí nessa.
Pois bem, ainda que as declarações de Girotti não tenham o pseo de uma Constituição Apostólica, trata-se das opiniões de um príncipe da Igreja, ocupando posto estreitamente vinculado à Magistratura Católica, e por isso mesmo, tal declaração está prenha de implicações teológicas, espirituais e, sobretudo, políticas, o que justifica uma análise. Mesmo que eu pertença ao universo protestante de uma forma geral, e pentecostal em âmbito específico, me interesso pelo assunto, nem que seja por motivos sociológicos. Os elementos de que disponho são os da Teologia, da Exegese Bíblica e da Análise Política.
Primeiramente, cumpre dizer que os conceitos de “pecado capital” e “pecado venial” pertencem exclusivamente ao universo católico, não somente romano, mas também grego, russo, armênio, siríaco e ortodoxo. Para o mundo protestante, este conceito é estranho, já que a Bíblia, única autoridade legislativa em questões de fé reconhecida pelo universo protestante, não estabelece distinção entre pecado grande e pecado pequeno. Roubar um clipe de papel de uma mesa de escritório, ou roubar um milhão de reais, constitui, de certa forma, o mesmo erro. E a tendência de catalogar, sistematizar pecados, tão própria do cristianismo ocidental, deixa escapar o fato de que o pecado é um estado de separação entre homem e Deus, é uma atitude, ou melhor dizendo, uma disposição mental para agir contra os princípios do Criador. Mas reconheço que, do ponto de vista educacional, a listinha de sete itens cumpriu, ao longo dos séculos, uma função pedagógica para a cristandade.
A lista romana que sempre incluiu Gula, Luxúria, Avareza, Ira, Soberba, Vaidade e Preguiça, é diferente e menor do que a lista de pecados que o apóstolo Paulo elencou na Carta aos Gálatas: “adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas (Gl 5:20-21)”. A última expressão de Paulo demonstra que se tratava de uma lista aberta, sujeita à inclusão de outros comportamentos que pudessem ser considerados, futuramente, ofensivos à vontade de Deus. Como acessar sites de conteúdo duvidoso na internet, por exemplo.
No entanto, a motivação com que alguns “pecados” foram elencados na tal entrevista não deixa de ser interessante. Vejamos, na nova lista, alguns dos pecados:

1) – Fazer modificação genética: O alvo desta nova sentença, sem dúvida, são as pesquisas com células-tronco embrionárias. Em que pese a defesa da vida que esta proposta apresenta, obstaculizar a ciência pode implicar no fim de avanços importantes, como a produção de alimentos sem agrotóxicos proporcionada pelos transgênicos. E de mais a mais, a própria Bíblia descreve a adoção dos gentios como Povo de Deus como uma modificação genética em uma planta, prática já conhecida na época. “E se alguns dos ramos (judeus descrentes) foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro,(gentio) foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira (Israel, o povo escolhido) Não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. (Rm 11:17-18)”.
2) – Poluir o Meio Ambiente: De fato, não é um pecado novo, mas já havia sido descrito pelo próprio Deus, quando colocou Adão no Jardim do Éden como um guardião, um cultivador. No entanto, a Bíblia se afasta claramente da postura radical de vegetarianos e ongueiros de toda espécie, ao defender um uso racional de toda a natureza.
3) Causar Injustiça Social: Diversos profetas bíblicos sempre condenaram a exploração praticada contra o povo de sua época. Amós, de longe, é o mais contundente. No entanto, a inclusão deste novo item na lista de pecados romanos parece mais uma concessão aos defensores da Teologia da Libertação, com mais jeito de acomodação política entre correntes da própria igreja do que verdadeira preocupação pastoral com as almas.
4) Causas pobreza: Parece mais uma repetição do pecado anterior. Embora a intenção pareça inocente, tal condenação parte de uma visão simplória da realidade econômica, a partir da ótica distorcida do “Politicamente correto”. Será que esta citação abrange também a possibilidade de o “culpado” de sua pobreza, às vezes, ser o próprio pobre? Ou parte daquela premissa que entende somente o rico como culpado de todas as mazelas do mundo?
5) Tornar-se extremamente rico: Essa doeu. A cúpula do Vaticano não lê mais a Bíblia? O que eles teriam a dizer da forma como Abraão, Isaque, Jacó enriqueciam, acumulavam mais e mais gado, e sempre creditavam isso à bênção de Deus sobre suas vidas? Se levarmos a sério a nova bula papal, Deus abençoou os patriarcas bíblicos tornando-os pecadores. Já no Novo Testamento, o apóstolo Paulo recomendava a seu aluno Timóteo: “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; (I Tm 6:17)”. Sim, você leu isso mesmo: abundantemente. Se ser extremamente rico é pecado, como fica a cúpula do Vaticano? Esta coisa de demonizar o lucro e a prosperidade é uma concessão à consciência culpada da Europa, onde o cristianismo definha em favor de um vago “pluralismo” que tem, na verdade, um pensamento único, que trata causas de esquerda como senso comum, como verdades universais.
6) Usar drogas – Com essa eu concordo. E recomendo mais: mantenham-se distantes de entrevistas como esta, que produzem mais confusão do que solução.

Letícia Sabatella e a doce utopia do atraso


Já faz algum tempo que li, nas minhas incursões quase diárias pela maior revistaria da minha cidade, uma entrevista nas páginas amarelas da Revista Isto É. Como cliente antigo, meu péssimo de folhear as revistas acaba sendo tolerado pelos donos da revistaria. A entrevista a que me refiro foi com a atriz Letícia Sabatella, que ultimamente tem se tornado mais célebre por emprestar a belíssima imagem para causas de esquerda. Não por acaso, Letícia Sabatella é hoje a mais séria candidata a musa das esquerdas brasileiras, posto que já foi de Marieta Severo, no tempo em que era casada com Chico Buarque. Camila Pitanga, na década de 90, envergou também o título. Mas de todas estas celebridades, Sabatella é, disparado, a que tem sido tratada com mais mimo pela mídia. Quanto mais radical a esquerdopatia de uma celebridade, mais paparicada ela é.
Na entrevista, a valente narrava um pouco de sua recente militância contra a transposição do Rio São Francisco, vestindo (literalmente) a camiseta do frei que fez greve de fome. Por conta do episódio, protagonizou um bate-boca com o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que não percebeu que, contra uma celebridade popular, sempre sairia perdendo. Logo ele, casado com Patrícia Pillar. Mas até aí, tudo bem. Cada um tem o direito de lutar pelas causas que acha justo, e o direito de ser enganado é inalienável.
O trecho da entrevista que simplesmente me impressionou foi quando a repórter, embevecida pela aura quase messiânica da atriz-militante, indagou sobre a postura adotada há diversos anos, de não aceitar participação em comerciais. Aproveitando a deixa, a bela discorreu sobre a “coerência” de sua decisão, pois não poderia emprestar seu trabalho para publicidade pura e simples, pois publicidade é venda, e venda gera lucro, e lucro...bem, vocês sabem. O lucro é o mal, a grande praga da humanidade, o próprio satã em notas verdes. Ou azuis, se o salário da atriz vier em notas de cem.
Não, meu prezado leitor, você não entendeu mal. Não se trata de se recusar a fazer comerciais de cerveja, cigarros, ou qualquer coisa do gênero. A atriz não aceita fazer NENHUM comercial, nem de sabonete. Para ela, como para todos os pterodáctilos do esquerdismo brasileiro, o comércio, que simplesmente construiu a trajetória da civilização, é um mal. A bela atriz global simplesmente não aceita a hipótese da existência de empresários honestos, que vendam seus produtos por acreditar na nobreza de sua profissão. Para ela, TODO empresário é um assassino em potencial, simplesmente por que sua atividade gera... lucro!
E o pior é que este tipo de postura é saudada como gesto de coerência, como se a simples sinceridade com que se crê em algo possa ser tomada como verdade absoluta. Lamento se a atriz é coerente com o que acredita, pois o que ela acredita é simplesmente detestável. A destruição completa do capital serve a quem? Aos capitalistas do capital alheio que hoje grassam pela República? Sabatella não empresta seu rosto para a venda de um sabonete ou de um jogo de talheres, mas veste a camiseta do MST, uma organização que mata, que invade propriedades e destrói laboratórios de pesquisa.
Sabatella não está sozinha na insanidade. Na campanha eleitoral de 2006, Heloísa Helena, candidata do P-Sol à presidência, encheu a boca com orgulho para afirmar que sua campanha não aceitaria doações de empresários. No mesmo ano, partidos do seu campo ideológico foram investigados sob a suspeita de receber doações das Farc. Mas aí pode, não é?
Olívio Dutra, ainda no governo do Rio Grande do Sul, ao se empolgar em um jantar da Fiergs, regado a bom vinho e outros luxos que esquerdistas apreciam muito, lascou que jamais seria empresário, pois não se sentiria bem com sua consciência administrando uma empresa que desse lucro. Mas pelo visto, sua consciência não ficou nem um pouco abalada em administrar um Estado que deu prejuízo.
Eis a verdadeira natureza de uma parcela do espectro político nacional que, apenas por cálculo e tática, finge uma convivência pacífica com o capital e com o Estado de Direito. O mundo ideal dessa gente continua sendo o sonho de Russeau e Franz Fanon: a ilusão bucólica e regressista do retorno às cavernas.
Que pena...